ARTIGO

A inovação gera emprego ou desemprego?

Ilustração: Cristie Marie

A diminuição das oportunidades de emprego é um fenômeno que atinge a todos os profissionais no Brasil, ou existem algumas categorias em pleno crescimento?

Todos os dias vemos inovações, muitas vezes associadas a novas tecnologias, surgindo no mercado com o objetivo de automatizar operações e atividades repetitivas, aumentando a produtividade de empresas e de indústrias. Outras inovações, mais drásticas, surgem para deslocar o atual incumbente da indústria.

As primeiras são, normalmente, chamadas de incrementais e as outras, disruptivas. Tipicamente a inovação incremental auxilia o profissional em suas atividades aumentando sua produtividade. A disruptiva rompe com o modelo atual, causando consequências mais imprevisíveis para o profissional. Normalmente quem realiza esta é um novo entrante no mercado, que não tem o legado (bom ou ruim) do incumbente na indústria, e muitas vezes modifica o mercado, e os players desse mercado.

Focalizando este pensamento na disruptiva, aquela em que a nova tecnologia altera ou automatiza praticamente toda a produção, observamos o exemplo da agricultura: os tratores e máquinas ceifam a cana, colhem, moem, e também “ceifam” os profissionais desse segmento.

Outro exemplo agora na indústria de manufatura é a Foxconn, que automatizou operações e fábricas inteiras, utilizando seus próprios robôs, os “Foxbots”. Neste caso, esta automação dispensou milhares de empregos. E por que isso? Especificamente, porque o custo da mão de obra da China está subindo. Uma informação que tinha lido em um site: em dezembro de 2016, a Foxconn tinha 1,2 milhão de funcionários e iria, até 2020, automatizar em 30% sua linha de produção. Neste caso estamos falando em centenas de milhares de (des) empregos.

Assim, volto ao título deste ensaio: a inovação, uma nova tecnologia implantada, gera empregos ou desempregos?

Possivelmente a inovação gera as duas coisas, desempregos e empregos. Mas o ponto é que muito provavelmente o novo emprego, resultante da inovação, não será ocupado por um desempregado, deslocado pela mesma inovação! Um cortador de cana não consegue, de imediato, pilotar ou programar drones. Idem ao operário da linha de produção: ele tem um skill que não é aproveitado na programação (desenvolvimento de software) do Foxbot.  Há várias implicações e discussões advindas deste breve pensamento. Mas meu alerta aqui é: fique preocupado se você se sente muito confortável em seu emprego atual, se acha que está tudo estável, tudo sob controle. O mundo está mudando em todos os segmentos, inclusive no seu, e no meu! Perceba a mudança à sua volta. Perceba se sua função é repetitiva, se há novas tecnologias surgindo em sua indústria (e às vezes em outras indústrias!), se há novos competidores. Não subestime os novos “pequenos” entrantes. Veja o quanto sua empresa muda ou inova. Não há mais espaço para ficar “deitado em berço esplêndido”, “esperando pra ver o que acontece” e nem “esperando que sua empresa mude”. Portanto, inove, renove, estude, aprenda, adquira (novos) conhecimentos. Questione-se.